Embebedai-Vos

XXXIII

EMBEBEDAI-VOS

É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos
E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedaivos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”

2 comentários:

  1. Depois que achei esse poema em prosa do Baudelaire [ primeiramente no tumblr, salvo engano] virou uma espécie de inspiração e hino. E o meu aprendizado das artes da viajosidades conhecidas como poesia ficou mais bêbada, tropeçando pelos versos da vida.

    Não esquecendo, quero agradecer e elogiar a sua empreitada, muito interessante. Não sei se já está terminada, mas agradeço. Estou lendo um por um agora, aproveitando meu início de férias.

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  2. adorei seu blog pois me ajudar a suportar esste tempo na face da terra.combiina bastante com musicas de Mozart mas para tanto n~~o precisomais me embriagar num quarto escuro

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